Raízes antigas, história viva, luta pela terra
Muito antes de qualquer placa de “pousada” ou “aluga-se quarto”, Trindade já era caminho de povos indígenas, rota de portugueses e refúgio de quem navegava pela costa. Com o tempo, a vila se firmou como comunidade caiçara — gente que aprende desde cedo a ler o tempo, o mar, o vento, a lua, vivendo da pesca artesanal, da roça pequena, dos rios que descem da serra e de um território que passa de geração em geração.
Nos anos 1970, as praias começaram a atrair hippies, viajantes e mochileiros, enquanto grandes empresas de fora tentavam transformar Trindade em um balneário fechado, com condomínios de luxo e acesso controlado. A resposta veio em bloco: a comunidade se organizou, ocupou, protestou e defendeu o direito básico de permanecer na própria terra.
Hoje, boa parte da área faz parte do Parque Nacional da Serra da Bocaina e de outras unidades de conservação que tentam equilibrar duas forças que caminham juntas: cuidar da floresta e do mar e garantir que os moradores sigam vivendo, pescando, trabalhando e mantendo vivo o modo de vida tradicional caiçara.